
A Copa do Mundo FIFA de 2026, que será sediada pela primeira vez em três países, promete ser a maior e mais inclusiva edição da história. Ao todo serão 48 seleções e 104 jogos, realizados nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Mas a “maior Copa de todos os tempos” traz um desafio: garantir que todos os torcedores possam desfrutar do espetáculo.
É aqui que entram questões como acessibilidade nos estádios, algo muito debatido nos últimos mundiais. Afinal, acessibilidade não é mais apenas uma “gentileza”, mas um pilar central da estratégia de sustentabilidade e responsabilidade social da FIFA.
Então, neste artigo, vamos ver as principais questões de acessibilidade que estão moldando os estádios e a infraestrutura para 2026.
Acessibilidade nos estádios: o “Padrão FIFA”
Muito se fala no “Padrão FIFA” e essa expressão já virou gíria para designar algo de alto nível ou até luxuoso. Porém, esse padrão de qualidade ainda esbarra na acessibilidade. Nesse sentido, um dos maiores desafios de 2026 é a integração de diferentes legislações, já que a Copa será em países diferentes.
Enquanto os estádios nos EUA seguem determinado padrão, as sedes no México e no Canadá possuem suas próprias regulamentações. Assim, a FIFA estabeleceu parâmetros que muitas vezes supera as leis locais, exigindo:
- Linhas de visão desimpedidas: torcedores em cadeiras de rodas devem conseguir ver o campo mesmo quando o público à frente se levanta em momentos de emoção;
- Distribuição proporcional: assentos acessíveis não podem ser isolados em um único setor “menos privilegiado”. Eles devem estar distribuídos por todas as faixas de preço e categorias de ingressos.
Ingressos de acessibilidade
Muitas vezes, o público confunde acessibilidade apenas com o uso de cadeiras de rodas. Para 2026, a FIFA categorizou os ingressos de acessibilidade de forma mais ampla:
- Wheelchair User (usuário de cadeira de rodas): para quem utiliza cadeira de rodas ou scooter de mobilidade;
- Easy Access Standard (acesso facilitado padrão): para pessoas com mobilidade reduzida que não usam cadeira de rodas, mas têm dificuldade em subir escadas ou caminhar longas distâncias (como idosos ou pessoas com próteses);
- Easy Access Amenity (acesso facilitado com comodidades): assentos próximos a banheiros ou com espaço extra para pernas, ideal para quem viaja com cães-guia.
- Sensory Rooms (salas sensoriais): ingressos que dão acesso a áreas protegidas do ruído excessivo, focadas em torcedores com autismo ou transtornos de processamento sensorial.
No entanto, reportagens recentes informavam que, nos EUA, o custo de assentos para pessoas com deficiência (PCD) estava até 4.900% mais elevado. Isso por conta de medidas adotadas pelo país. Além do mais, o país anunciou o fim da gratuidade para acompanhantes de PCDs, o que vem gerando revolta.
Essas notícias mostram como ainda estamos longe do ideal quando o assunto é acessibilidade nos estádios. Lembrando que acessibilidade não envolve apenas a estrutura física dos espaços. Os valores altíssimos dos ingressos para PCDs é uma falha na acessibilidade e a questão precisa ser revista!
Infraestrutura Sensorial
A grande inovação para 2026 é o foco na acessibilidade invisível. Estádios modernos, como o SoFi Stadium em Los Angeles e o Mercedes-Benz Stadium em Atlanta, se destacam nesse sentido.
Aqui, podemos citar como principal exemplo as salas sensoriais, bem como a disponibilidade e kits para torcedores no espectro autista. Afinal de contas, o barulho ensurdecedor de 80 mil vozes pode causar crises.
Dessa forma, os estádios da Copa 2026 contarão com salas sensoriais com isolamento acústico, iluminação regulável e atividades calmantes. Além disso, haverá a disponibilidade de “kits sensoriais”, com fones de ouvido que cancelam ruído e objetos de estimulação tátil.
Tecnologia assistiva e navegação digital
Em um evento como a Copa do Mundo 2026, a tecnologia é a melhor amiga da acessibilidade. Assim, a FIFA e as cidades-sede estão investindo em:
- Wayfinding digital: aplicativos que indicam as rotas sem degraus, localização de elevadores e banheiros adaptados em tempo real;
- Audiodescrição (ADC): transmissões via rádio ou aplicativos dentro do estádio que descrevem minuciosamente cada lance para torcedores cegos ou com baixa visão;
- Sinalização em braille e alto-relevo: onipresente em todos os pontos de contato, desde corrimãos até menus de alimentação.
Tudo isso visa garantir o básico: que todas as pessoas que compraram ingressos consigam ter acesso aos jogos.
Outro desafio: a mobilidade urbana
Não podemos esquecer da mobilidade urbana. A acessibilidade não acontece apenas nos estádios, mas precisa abranger toda a localidade. Por exemplo, o estádio pode ser 100% acessível, mas se o transporte público não for, a acessibilidade falhou!
Este é o maior ponto de atenção no Estádio Azteca (México) e em algumas cidades dos EUA onde a dependência de carros é alta. Em algumas arenas dos EUA, o transporte público é muito deficitário e isso é uma tradição norte-americana.
Ao invés de estações de trem ou metrô próximas aos estádios, podemos observar gigantescos estacionamentos para carros. Ou seja, a estrutura foi pensada para que as pessoas se desloquem com seus carros particulares e não com transporte coletivo.
Mesmo assim, a FIFA, juntamente com os países que vão sediar a Copa, vem adotando estratégias como:
- Frota de ônibus adaptada: garantia de que 100% dos ônibus que fazem a ligação entre “Fan Fests” e estádios possuam rampas ou elevadores;
- Estacionamento prioritário: gestão rigorosa de vagas para pessoas com deficiência, integradas a sistemas de reserva antecipada;
- Calçadas e rotas de pedestres: nivelamento de vias e instalação de pisos táteis nos arredores dos estádios, combatendo o que se chama de “deserto de acessibilidade” no entorno das arenas.
Treinamento da equipe e o fator humano
De nada serve uma rampa moderna se o funcionário do estádio não souber como tratar um torcedor com deficiência com dignidade. Por isso, o Comitê Organizador da Copa está implementando um programa de treinamento para voluntários e seguranças sobre etiqueta de acessibilidade.
Isso inclui saber como se dirigir a uma pessoa com deficiência (sempre falando diretamente com ela, e não com seu acompanhante), como guiar uma pessoa cega e como identificar sinais de sobrecarga sensorial em crianças.
Essas “pequenas” ações, na verdade, são grandes avanços rumo a acessibilidade nos estádios da Copa de 2026.
Considerações finais
A Copa do Mundo de 2026 tem a oportunidade de deixar um legado físico permanente. As reformas nos estádios, as melhorias nos acessos e a modernização dos sistemas de transporte servirão à população local por décadas após o evento.
Em suma, garantir acessibilidade nos estádios é mais do que cumprir regras. Envolve assegurar que o futebol continue sendo o esporte de todos.
Acompanhar a evolução dessas obras é fundamental para entender como os megaeventos podem transformar a inclusão social em escala global.
E essa é uma das missões da RDP Plast. Afinal, estamos sempre atentos às soluções mais modernas no ramo da acessibilidade para oferecê-las aos nossos clientes.
A acessibilidade envolve uma jornada, não um destino final. Ela está sempre em evolução e 2026 promete ser um marco histórico nessa caminhada. Qual dessas inovações você considera mais importante para a inclusão nos esportes?
Para projetos acessíveis, dúvidas sobre o tema, orçamentos e adaptações em projetos já existentes, entre em contato com nossa equipe!